Fotografia básica: Luz disponível

Par obter bons resultados fotografando com luz disponível, seja ela natural, ao ar livre, ou através de janelas, lâmpadas e etc, é importante saber reconhecer a qualidade e intensidade da luz e se adaptar a ela. Não acho que caiba, nesse post, uma explicação teórica, por isso, resolvi contar como faço para conseguir a luz que mais me agrada.

Como fotografo sozinho, raramente tenho a oportunidade de usar rebatedores (a não ser quando eles estão presentes no ambiente), portanto, preciso me virar com a luz do sol sem poder manipulá-la.

Raramente direciono meus motivos, uma vez que, ao fazer isso estou interferindo no que está acontecendo e isso vem de encontro ao que acredito ser um dos pilares do fotojornalismo. A única ressalva é quando esse direcionamento se torna óbvio, quando, por exemplo, o motivo posa, encara a objetiva, exibe objetos e etc. A maioria dos retratos que faço acontece durante conversas (converso muito com os personagens), quando vejo que o cara não está em uma posição favorável, troco de lugar com ele ou simplesmente peço pra ir mais lá ou mais pra cá. Não vejo isso como uma “intervenção” ou “mudança da realidade”, uma vez que o motivo está conversando comigo e, dessa forma, reagindo a estímulos. Quando isso não e possível, ou não é interessante para a pauta, preciso me posicionar de maneira a conseguir a luz mais adequada a cada trabalho. Isso não é fácil, requer prática e treino.

Exemplo do emprego de duas fontes de luz, a janela clareia todo o ambiente, a luz da tv ilumina os rostos das crianças - Foto: André Américo

Eu gosto muito de luz de contra, acabo, meio que instintivamente, apostando nesse tipo de iluminação, uso muito a luz lateral também. Os dois tipos de iluminação acentuam os relevos, as formas. As laterais, geralmente dão uma tridimensionalidade à imagem. Ao mesmo tempo, o contra luz pode “chapar” uma foto até quase torná-la uma marca gráfica. Gosto do meio termo entre as duas, uma luz lateral que vem de traz do motivo, ¾. A luz frontal é importante quando é preciso tornar algo perfeitamente visível, o problema é que ela frequentemente elimina os relevos. A luz do sol geralmente vem de cima, por isso, produz sombras nos olhos das pessoas, por exemplo. Prefiro usá-la quando o céu está encoberto ou através de grandes janelas, para que a luz fique mais suave. Também é legal usar o meio termo entre frontal e lateral, dessa forma um lado fica ligeiramente mais escuro e o efeito de tridimensionalidade é, novamente, perceptível.

É legal, também, misturar tipos de iluminação, podemos ter, por exemplo, uma grande janela produzindo luz suave e uma lâmpada do lado oposto produzindo luz dura, se mesclarmos as duas fontes e ajustar a exposição iremos ressaltá-las. Como o sol produz luz mais intensa do que a lâmpada, às vezes será necessário que o motivo esteja mais próximo da lâmpada do que da janela, mas isso depende de cada caso e cabe ao fotógrafo perceber esses pormenores e se adaptar. A dica é se movimentar, olhar a mesma cena de vários ângulos e escolher o mais adequado.

Entender a luz que o ambiente proporciona é uma maneira simples para aprender a manipulá-la com elementos artificiais (flash, Fresnel, LED e etc). Muitas vezes eu olho pra uma cena e penso, “se tivesse uma janela ali a foto iria ficar demais”. Saco do meu bomb o flash, conecto no Pocket Wizard e posiciono, virado para uma parede clara (para aumentar a fonte de luz para que a iluminação fique suave), dessa forma, é como se tivesse aberto uma janela na parede. Para ter essa percepção, é necessário conhecer como a luz se comporta. Já abordei o básico aqui e voltarei ao assunto em futuros posts.

Fonte: Por trás da objetiva

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